Review: Lindsey Stirling – Brave Enough [Álbum]

Lindsey Stirling é uma artista incrível. Desde seu ótimo e auto-intitulado primeiro álbum de estúdio, ela vem trazendo ótimas músicas instrumentais para abençoar nossos ouvidos. Então, o hype pra qualquer álbum dessa mulher é inevitável.

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Sendo a artista pop em crescimento que é, a violinista anda mostrando um interesse em não apenas trazer melodias bacanas em seus albuns, mas também colocar mais significado em suas músicas e os transparecer com seu violino. Ela já conseguiu fazer isso algumas vezes, mas isso nunca foi algo explorado em todo um álbum dela.

E agora surge uma grande possibilidade dessa forma de exploração surgir com muito mais força, já que Lindsey volta à compor com sede de expressão. No Brave Enough ela intende em por em cada música algum conflito interno seu que precisa ser quebrado pra que ela possa, enfim, ser valente, valente o suficiente pra passar por aquilo.

A decisão por esse conceito foi muito impactada pela morte do tecladista e melhor amigo de Lindsey, Gavi, que morreu de câncer em 2015 quando Lindsey estava começando a preparar esse álbum. Esse fato colocou Lindsey em uma posição muito obscura onde ela viu a necessidade de ser brava o suficiente pra superá-la. Inspirada por isso, Stirling quer compor sobre situações de sua vida onde ela foi posta nessa situação de escuridão, e é isso que veremos aqui.

1. Lost Girls

O álbum abre com Lost Girls, trazendo uma atmosfera mística, contida e misteriosa ao seu início que, por mais belíssima que seja, tornaria a música um tanto monótoma caso fosse levada durante a faixa inteira. E Lindsey, meus caros, está muito ciente disso, e traz um refrão onde tudo explode numa melodia que parece ter saído de algum conto fantástico.

Pode até parecer um exagero usar a expressão “explodir” pra definir esse refrão, por que o espírito da música não parece ser compatível com essa palavra, mas em comparação com o resto da música realmente isso soa como uma explosão, e que belíssima explosão. Ela dá vida à faixa e é a responsável por a torna-lá uma ótima ouvida.

E aqui Lindsey já começa a expressar sua vivência na música. Em “Lost Girls” ela quer contar um pouco sobre seus embates com sua saúde mental. Não sei se você sabe, mas Lindsey já passou por anorexia por um momento de sua vida. E, por mais que hoje em dia as feridas desse distúrbio já tenham cicatrizado, elas vez ou outra ameaçam abrir novamente. Talvez você não entenda muito bem isso, então vou tentar te fazer entender melhor:

Quando você tem algum distúrbio tal como o de Lindsey, é completamente possível que você trate dele e que ele passe a ser tão pequeno que não atrapalha a sua vida como antes, mas ele sempre vai estar lá. E vez ou outra, depois de você ter o superado, esse problema pode tentar te fazer ceder para ele, deixando-o voltar a dominar sua vida.

Quando dizem que ter um problema mental é uma batalha diária, não é por pouco. Você precisa estar disposto a batalhar contra ele todo o dia para que ele não te domine por completo. E vez ou outra ceder a essa batalha é algo que seduz, afinal, é voltar para a zona de conforto onde não há esse grande esforço.

É essa sedução e essa persistência em continuar uma boa vida que Lindsey quer retratar com “Lost Girls”, e ela consegue isso muito bem. Na música, há aqueles momentos mais contidos que soam até depressivos representando momentos em que você está sendo seduzido a ceder, a não batalhar e a voltar para a escuridão. Mas logo depois deles a música explode em esperança, alegria, animação, que é justamente quando você decide não deixar isso acontecer e continuar a vivendo uma vida que não é dominada por esses problemas.

2. Brave Enough feat. Christina Perry

Primeira faixa com colaboração das várias que tem nesse álbum… Bem, eu não sou o maior fã de Lindsey fazendo colaborações por que eu acho que o que torna o trabalho dela único é justamente ouvir o violino tomando lugar dos vocais, e não os vocais tomando o lugar do violino. Mas até que nesse caso as coisas funcionaram bem.

Eu sei que os versos de Christina Perry aqui soam muito simples e sem gracinha. Mas depois que você escuta a música por inteiro, você percebe que esses versos que soam mais monótonos são na verdade muito importantes na construção da música e fazem a diferença.

Quando você chega perto do refrão, a progressão da música passa a trazer o violino que antes não tava presente, depois disso a música começa a pegar impulso, e aí chegamos no refrão: uma das coisas mais belas que Lindsey já fez em toda a sua carreira. O refrão é pulsante, esperançoso, contagiante, libertador e absolutamente lindo.

É justamente esse refrão que leva a música a um alto nível, já que os versos servem mais como momentos para que possamos parar, tomar fôlego, e nos prepararmos pra o refrão que está por vir. Os versos funcionam muito bem nesse papel, não é algo que eu reclamo, já que o brilho do violino consegue iluminar toda a extensão da música.

E essa aqui é a primeira música inspirada em Gavi. Ele tinha uma característica que Lindsey admirava muito, que era a coragem de demonstrar o seu sentimento para os outros, de amar as pessoas ao seu redor sem ter medo das consequências disso.

Hoje em dia se tem muito esse estigma de que demonstrar amor demais é algo perigoso, algo que não devemos fazer por que vai afastar as pessoas, e isso é pura covardia. Gavi demonstrava ser o oposto disso, e ele amava sem nenhum medo, ele era corajoso o suficiente pra isso, e Stirling se inspira muito nessa característica do pianista, ela quer se tornar tão corajosa para amar os outros quanto Gavi foi.

Na letra, especificamente, a gente vê a Christina cantando do amor que Lindsey queria ter demonstrado para Gavi, mas que ela não tinha coragem de demonstrar por medo de quebrar a amizade que eles tinham, algo do qual Lindsey se arrepende. E sim, eu sei, isso faz parecer que ela tinha uma queda amorosa pelo Gavi, mas não olhem com tanta malícia assim. Da pra entender perfeitamente que Lindsey só não queria demonstrar muito amor por aquele medo que eu citei lá em cima de deixar as coisas estranhas na amizade dos dois. Só lembre que amor não é só algo que um casal sente.

Bem, é lindo demais ver Gavi sendo eternizado em uma música tão bela. Foram várias vezes que deixei lágrimas caírem ouvindo essa música enquanto pensava nisso.

3. The Arena

Depois de duas músicas densas, é hora de deixar o ar mais leve com algo que ouvimos antes do álbum ter saído.

Essa aqui é uma música que exala força. Há um clima heroico escancarado em “The Arena” que é de colocar qualquer um em pé. O que faz muitíssimo sentido com as intenções de Lindsey ao compor essa faixa.

“The Arena” retrata uma coisa que nós temos uma dificuldade muito grande de lidar: nossas derrotas. Uma coisa é certa, nós, no decorrer da nossa vida, ao tentarmos alcançar um objetivo que almejamos muito, vamos falhar. E na primeira derrota, muita gente já pensa em jogar tudo pro alto e desistir de seus objetivos, mas é essa galera que realmente vai falhar.

Quando nós estamos buscando nossos objetivos, é importante colocar isso em mente: vamos falhar. E nós não devemos abaixar a cabeça para isso, porque falhas fazem parte do processo de alcance do objetivo. Se quisermos alcançar algo grande na vida, precisamos aceitar esse fato e lidar com as nossas derrotas como algo que faz parte desse processo, e não como um ponto final. Não há vitória sem derrota.

E é belíssimo como Lindsey consegue captar tão bem essa atmosfera de luta, porque é justamente a luta que ela quer salientar na música. É a garra e a confiança de quem batalha que você sente ao ouvir “The Arena”. Afinal, é isso que você precisa ouvir e é isso que Lindsey quer que você ouça. Simplesmente belíssimo.

Uma grande inspiração pra essa música foi a seguinte citação:

“Não é o crítico que conta; não é o homem que aponta para os homens fortes que caem, ou o que quem busca o objetivo poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que está na arena, cujo rosto está sujo de poeira e suor e sangue; que luta valentemente; que erra, que se ergue novamente e novamente, por que não há esforço sem erro e falha; que realmente batalha para realizar suas ações; que conhece o grande entusiasmo, a grande devoção; que gasta a si mesmo em uma causa de valor; que sabe que o melhor a acontecer é, no fim, conhecer o triunfo de uma grande conquista, mas que na pior situação, se ele falhar, ao menos falhou batalhando grandiosamente, e então o seu lugar nunca será junto daquelas almas frias e tímidas que jamais conhecerão a vitória ou a derrota.”

Se quiser ler o texto no original, em inglês, é só clicar nessa frase.

Citação muitíssimo forte que é ótima acompanhada da música de Lindsey, é mais uma impulsão nesse sentimento de batalha pra todos nós.

4. The Phoenix

Agora que “The Arena” já retratou a batalha pela busca de um objetivo, Lindsey sente que é hora de retratar a queda. O nome da música já é uma grande dica pra sabermos do que ela se trata, mas o que realmente escancara isso é a sua progressão.

Há esses momentos muito sutis, pouco barulhentos e com um toque de tristeza presente nos versos dessa música, representando o momento de vulnerabilidade que vem à tona quando acabamos de passar por uma queda. Mas mesmo nesse momento é perceptível uma certa garra existente quando o violino de repente dispara notas curtas e rápidas depois das longas e melancólicas, e isso chega em um ápice quando estamos no refrão. Batidas extremamente animais, fortes e intensas tomam conta da música junto de um violino muito mais ousado e vivo: o momento em que se ergue após a queda.

É muito claro a visão de uma fênix ressurgindo de suas cinzas quando se ouve a música, o que já é belíssimo por si só, mas saber de todo o contexto por trás de “The Phoenix” da um significado a mais pra a música, o que é ótimo de se ter não só como uma inspiração fortíssima pra o dia a dia, mas como uma forma de sentir o que Lindsey busca transmitir.

Também é estranho ver como melodias tão distintas se uniram tão bem nessa música. Foi uma jogada muito ousada fazer isso, poderia dar errado muito facilmente, mas realmente não deu. E muito pelo contrário, essa daqui é uma música muitíssimo boa de se ouvir. É uma das músicas mais distintas da carreira de Stirling.

5. Where Do We Go? (feat. Carah Faye)

Sabiam que Lindsey é uma pessoa muito religiosa? Isso fica bem expresso nessa música.

“Where Do We Go?” fala sobre momentos onde você recorre a Deus pra pedir que algo mude em sua vida, mas esse pedido não é realizado e sua vida permanece com aquilo que te incomoda, por mais que você implore por essa mudança.

E Lindsey acredita que, já que as respostas dessas orações sejam não, talvez as coisas devem acontecer da forma que estão acontecendo. Deus teria um plano maior pra nossas vidas, ele sabe qual é o caminho que devemos seguir, e caso ele diga não a algum de nossos pedidos, ele sabe o que faz em dar essa resposta.

Eu não sou uma pessoa muito religiosa (nem um pouco na verdade, sou agnóstico), mas me toca ter contato com essa visão de Lindsey. É uma boa forma de lidar com os obstáculos que surgem em nossa vida.

Já sobre a sonoridade da música, se as 4 músicas passadas foram incríveis, essa daqui conseguiu quebrar o combo incrível que o álbum tava tendo. Não que a música seja ruim, mas ela passa batido perto dessas anteriores, ou até mesmo perto do incrível catálogo de Lindsey. E eu sinto que parte da culpa disso foi esse featzinho daí, acho que a música poderia soar mais interessante só com violinos caso eles fossem caprichados, mas não da pra negar que ter a letra faz a diferença. Então eu aceito calmamente…

6. Those Days (feat. Dan + Shay)

Ok, isso daqui eu não vou aceitar calmamente.

A mensagem por trás de “Those Days” é lindíssima. É mais uma das músicas que falam sobre Gavi, dessa vez falando sobre relembrar dos bons momentos que foram passados juntos com ele ao invés de apenas se lamentar pela perda dele. Sobre passar a ser grato pela sorte que foi ter encontrado alguém tão querido quanto Gavi e por ter tido a oportunidade de passar momentos tão bons com ele pra começo de conversa.

Mas olhe… sonoramente essa música é tão meia boca que até me irrita, e o que me irrita mais ainda são os vocais. Quer dizer, trazer uma galera de country pra cantar nessa música? Esse aqui é um daqueles casos em que eu tenho certeza absoluta de que a música seria  m u i t o superior se tivesse só Lindsey. É um caso em que eu abriria mão da letra dessa música sem pensar duas vezes.

Enfim, foi um baita de um desperdício de uma mensagem tão bonita.

7. Prism

MAS AGORA DE VOLTA AOS TRILHOS, EM???

Assim, não vou mentir, a minha primeira ouvida de Prism não trouxe a melhor das reações. Os versos da música são ótimos, mas não vamos ignorar que esse refrão ficou bizarro. Parece que Lindsey quis fazer uma coisa mais experimental na música, e o resultado disso não ficou nada fácil de ser digerido (ou de ser compreendido). Seria melhor se ela tivesse mantido o refrão normal e não com aquele efeito estranho no meio das notas. De qualquer forma, depois de um tempo ouvindo “Prism” isso deixou de ser um demérito da música pra ser algo bem tolerável.

Prism é uma música gostosíssima do Brave Enough. Descrever ela é bem difícil, por que ela parece ser bem experimental mesmo. É uma música com diversos momentos distintos bem interessantes, mas o resultado final conseguiu ficar muito coeso do inicio ao fim.

Acho que dá pra falar que isso aqui é uma coisa meio futurista, mas também meio mística (vide aquela bridge maravilhosa de linda). É tipo aqueles filmes futuristas bem urbanos mas que se mesclam com umas coisas mágicas. E sinto que a cor que define bem essa música daqui é azul, e não sei por que mas acho que fumacinhas bonitinhas aesthetic também combinam bem. E não me pergunte o por que de eu achar isso, eu realmente não sei, só sinto.

Já sobre a mensagem de Prism: Lindsey diz que a música é sobre você ser aquilo que você acredita ser. Se você acredita que é uma pessoa tímida, você vai ser uma pessoa tímida. Se você crê que é uma pessoa cheia de confiança, você vai ser uma pessoa cheia de confiança. É tipo luz entrando num prisma, quando se revela que um só raio de luz branco tem todas as cores em si, e basta você acreditar que é um “azul” que você vai ser aquele azul que tá dentro de você.

Eu honestamente acho essa mensagem aí meio duvidosa, até por que não sinto isso muito explicitamente na música em si. Talvez esses diversos momentos da música sejam pra mostrar essas várias cores, mas acho que nem isso me convence tanto assim.

Vou mais com a interpretação de que todos nós temos variações de nossa própria personalidade que mostramos em diferentes situações. É como se nós fossemos o raio de luz branco, e as cores fossem todas as variações que temos de nossa personalidade que acabam se revelando quando colocamos a luz no prisma. E essa interpretação daí fica bem mais explícita ainda no vídeo de Prism, mas não muito na música. Bem, no fim das contas nenhuma dessas interpretações ficam explícitas na música, mas enfim né…

8. Hold My Heart (feat. ZZ Ward)

AGORA SIM. É ASSIM QUE SE FAZ UM FEAT!!!!

Vocês repararam que eu sempre to com um pé atrás quando o assunto é Lindsey e feats. Mas se for feito certo, o feat pode funcionar perfeitamente bem. A gente tem ótimos exemplos disso com Shatter Me e com a própria Brave Enough, mas o ápice dos feats de Lindsey tá aqui. Eu ouso em falar que Hold My Heart foi o melhor feat que Stirling já fez.

Os vocais não atrapalharam em nada, n a d a, na música. Muitíssimo pelo contrário, eles ajudam a agregar muito bem essa atmosfera mais fiercy que “Hold My Heart” tem. E o melhor de tudo, o violino não foi deixado como segundo plano na música (esse é o maior defeito desses feats: quando isso acontece a música passa a perder toda a personalidade de Lindsey pra ser uma música qualquer com um violino no instrumental). O violino e o vocal conversam muito bem entre si, mas muito bem mesmo.

E todos esses acertos estão numa música incrível, cheia de atitude. Se “Brave Enough” era boa por ser tocante e artística, “Hold My Heart” é boa por ter uma atitude tão forte que diverte e põe o ouvinte em êxtase.

E a letra da música fala sobre algo simples mas bem forte. É sobre Lindsey não querer estar num relacionamento sério™ com um cara que faz tudo por ela, como se ela fosse uma donzela indefesa que precisa de um homem pra poder viver feliz. Ela só quer ter alguém que a ame, por que no resto ela se vira sozinha.

RAINHA INDEPENDENTE QUE NÃO PRECISA DE UM HOMEM FAZ ASSIM MESMO, MORES.

E eu acho show como essa mensagem casa bem com a fierceness da música, é como se a sonoridade fosse uma mostra de quão fodona Lindsey já é sem nenhum homem em sua vida. Não que ela (ou qualquer mulher) precisasse demonstrar isso pra que a gente pudesse saber disso, mas é bom ver que ela está muito bem ciente disso.

9. Mirage (feat. Raja Kumari)

Não se assustem por essa faixa se tratar de um feat, a tal Raja não faz nada mais nada menos que cantar uns “badin dum ba dum ba din ba dum ba” na música. Mirage é basicamente feita de violino mesmo, E AINDA BEM.

Isso aqui me lembrava muito uma vibe meio egípcia, mas eu tava muito enganado por que Lindsey se inspirou em Bollywood pra fazer Mirage, então a vibe é da India gente.

E que música show. Lindsey tá dando um show com o violino dela aqui. Vários momentos da música chegam a ser hipnotizantes. Me lembra aqueles bixinhos que ficam no deserto levantando as cobra lá com a flauta.

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Posso ouvir os badin dum ba dum ba din ba dum ba saindo dessa foto

Mirage dá seguimento ao êxtase e diversão que foi começado por Hold My Heart. E o faz muitíssimo bem mesmo, desde os momentos onde apenas o violino toma conta sozinho da música até o refrão quando tudo fica mais intenso e cheio de pizzicatos. Ouvir isso da uma vontade de se vestir de indiana e sair por aí dançando.

Agora deixe eu lhes contar uma historinha sobre a produção dessa música:

Lindsey queria a muito tempo fazer uma música que tem essa vibe Bollywoodiana, mas não conseguia de jeito nenhum fazer isso. Chegaram os dias de composição do Brave Enough, e Lindsey não tardou em tentar muitas e muitas vezes fazer essa tal música, e sempre ela falhava. Mas eis que, faltando uma semana pra ela ter que entregar o álbum todo prontinho, deu um click na cabeça da nossa querida Stirling, e lá foi ela num momento de tudo ou nada tentar compor mais uma música nesse estilo Bollywoodiano. Essa última música não era nada mais nada menos que fucking Mirage. A mulher compôs essa música em menos de uma semana, cês tem noção?

10. Don’t Let This Feeling Fade (feat. Rivers Cuomo and Lacrae)

E cá estamos nós com mais um feat, por que Lindsey realmente tava sedenta por cantores.

E por mais que essa daqui não seja tão ruim como foi a countryzada lá, ela não chega a ser incrível como Hold My Heart. E isso é um pouco frustrante por que talvez a música fosse melhor do que já é não fosse o feat. O refrão que é tomado pelos violinos é ótimo, e é perceptível que essa música poderia ser levada sem vocal nenhum. Quer dizer, presta atenção no violino que ta tocando durante o rap e perceba como ele já é bem bacana por si só, mas o rap engole ele inteiro.

Mas tá, a música passa longe de ser ruim, e eu não posso negar isso. Ela é bem boa na verdade, e bem melhor que “Where Do We Go” por exemplo. No geral, o violino não ficou tão escondido assim e ele foi bem mesclado com os vocais e com o rap. A única coisa negativa aqui é essa minha frustraçãozinha mesmo, não fosse isso eu tava praising isso daqui really hard, até por que música tem uma mensagem muito bacana sobre aproveitar o presente ao invés de apenas nos preocupar com objetivos futuros que queremos alcançar. Muitas vezes a gente fica meio atolado com esse tipo de preocupação e esquece de viver a vida, principalmente nessa geração tão ansiosa, então é bom ter um lembrete disso.

11. First Light

Ai gente, essa música é maravilhosa. Ela é tão calminha e aconchegante. É como se ela te desse um abraço quentinho e falasse no seu ouvido: “ta tudo bem, não precisa se preocupar”. E a inspiração de Lindsey por trás dessa música é muito próxima dessa sensação.

First Light é simplesmente sobre você começar bem seu dia. Você acordar, ver aquele céu clarinho, abrir um sorriso e saber que vai estar tudo bem hoje. Aí depois você levanta e vai sei lá, fazer uma meditação ou dar uma caminhada pro dia ficar bem show.

Se bem que eu tenho uma interpretação própria meio diferente disso. Pra mim essa música é sobre o momento em que os primeiros vislumbres de esperança surgem quando você está num momento muito ruim; quando você se sente mal com alguma coisa e passa muito tempo negativo por conta disso, mas aí surge aquela primeira luz que mostra que as coisas vão ficar bem, o primeiro sinal de esperança, e daí pra frente as coisas melhoram. É isso que me vem a cabeça com esse sentimento quentinho de aconchego que a música traz: calma, tudo vai ficar bem.

Eu sou apaixonado por essa música. Ela é muito simples, mas é extremamente efetiva. A forma como ela vai crescendo, adicionando cada vez mais mais aconchego à sonoridade dela ajuda demais a tornar ela uma grande música. Quando chega a parte com o coral cantando eu já alcanço o céu.

12. Love’s Just a Feeling (feat. Rooty)

Esse daqui é um daqueles feats que são bem aceitáveis e não ofendem, mas também não agregam coisa demais, meio tipo “Where Do We Go” mas até melhor. E pra ser bem sincero, eu não sei se essa música deixar de ter vocais ia fazer lá tanta diferença assim, então ela é aceitável por ser aceitável mesmo, e não por desleixo de terem trazido uma cantora pra junto da música.

Eu sinto que essa música é uma continuidade da mensagem por trás de Brave Enough. Dessa vez Lindsey não está lamentando por não ter abrido seu coração ao máximo com Gavi, mas sim está buscando abrir o seu coração com outras pessoas sem medo das consequências disso. Esse é o momento em que Lindsey deixa de apenas desejar ser valente o suficiente e dá o primeiro passo para realmente ser valente o suficiente e amar as pessoas sem barreiras.

13. Something Wild (feat. Andrew McMahon in the Wilderness)

Antes de tudo deixa eu enaltecer a minha Lindsey: ESSA MÚSICA TAVA NA TRILHA SONORA DE UM FILME DA DISNEY LALALALALALALALALLA.

Agora vamos falar sobre como essa música é bem ok, não inofensiva, mas não incrível. E dessa vez eu posso falar de boca cheia que Something Wild poderia ter sido MUITO melhor se não tivesse esse vocal aí, e a prova tá nesse link daqui, clique e testemunhe por si só.

De qualquer forma, por mais que não chegue a ser nada que vá chamar muita atenção dentro do Brave Enough, Something Wild é uma boa pedida pra ser aquela música bacana do álbum que serve pra dar uma desacelerada nas coisas.

E ela também tem um contexto muito importante, que é fechar a narrativa do álbum. Com todo esse sentimento leve e alegre, a letra fala sobre seguir o caminho da vida esperançosamente, por mais que coisas ruins tenham acontecido. Momentos difíceis chegarão e eles são assustadores, mas você irá conseguir passar por eles. Você é forte e capaz, mais do que você acha, então siga forte e de cabeça erguida.

Essa é uma ótima maneira de dar fechar o álbum que fala exatamente sobre isso, sobre os obstáculos da vida e sobre ter a coragem pra lhes enfrentar. Se por vários momentos do álbum esses problemas já foram retratados, nada mais justo do que fechar todas essas narrativas demonstrar a determinação de seguir bem a vida, por mais que problemas surjam por aí.

14. Gavi’s Song

Bem, por mais que toda a narrativa do álbum já tenha sido fechada, ainda temos mais uma música para ouvir. E ela é nada mais nada menos que a homenagem que Lindsey decidiu prestar em homenagem à Gavi.

Quando Gavi estava no hospital, Lindsey e ele prometeram que os dois iriam trabalhar nesse novo álbum juntos, e eles começaram a criar a melodia de uma das músicas que iriam entrar para o CD. Mas antes que a música pudesse passar do início de sua criação, Gavi acabou morrendo.

Como homenagem a ele, Lindsey se pôs a terminar de compor essa música. E o resultado disso foi “Gavi’s Song”, a música mais tocante, mais linda e mais emotiva que Lindsey já criou. É incontável a quantidade de vezes que eu já me peguei derramando algumas lágrimas ao ouvir essa faixa, principalmente quando ela chega ao final e ouvimos o que parece ser Lindsey e Gavi compondo a música.

Isso me faz perceber: palavras são boas para descrever sentimentos, mas não para nos fazer lhes sentir. É com a música que nós podemos os sentir com tanta claridade, e Gavi’s Song é um dos ótimos exemplos disso.

E é tocante lembrar do ponto de vista de Lindsey em relação à criação dessa música. Ela sente que quando ela estava compondo essa música, Gavi estava sempre ao lado dela, lhe ajudando a terminar a música que eles haviam começado. É interessante pensar que essa música pode realmente ser não só mérito de Lindsey, mas sim um mérito dos dois.

– VERSÃO DELUXE DO TARGET –

Tá beleza, o álbum pode ter acabado, mas sempre temos as músicas da versão deluxe pra dar um gostinho extra né não?? Então vamos falar dessas músicas.

Pra começar, a gente tem uma música incrível, fenomenal e que não merecia ter sido jogado entre as faixas da versão deluxe do Brave Enough de forma alguma. Estou falando de nada mais nada menos que Waltz. Ela é envolvente e frenética, mas ainda assim classy, e é um espetáculo. Ela chega a ser muito melhor até que algumas faixas da versão Standart, o que me deixa bem chateado por que ela iria agregar demais na qualidade do álbum. Mas ainda bem que chegamos a ouvir ela, né? Por mais que separada das outras faixas.

Depois dessa música daí, a gente não tem muita música que seja lá grande destaque não. Afterglow é bem tranquilinha e tem um refrão que parece saído daqueles EDM que os otakus atualmente adoram. Powerlines tá nesse nível de qualidade de Afterglow, mas poderia ter versos mais interessantes. Forgotten Voyage é a mais diferente dessas três daí, tem uma sonoridade muito mais interessante que realmente parece uma voyage, mas mesmo assim não chega perto de Waltz e não chama lá muita atenção por mais bacana que seja.

Pra mim vale a pena comprar a versão Deluxe só pra ter o benefício de ter Waltz.

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“Brave Enough” é um álbum incrível. Ele não conta apenas com músicas sonoramente fenomenais de Lindsey, mas também conta com uma carga sentimental extremamente forte que muitas vezes consegue ser passada apenas com a melodia do violino. A violinista conseguiu contar toda uma história de superação e de batalha contra seus problemas de forma coesa e linear, que consegue atingir o ouvinte, por mais que em alguns momentos lhe faltem palavras para fazer isso, e que é capaz até mesmo de nos inspirar.

Ok, o álbum ainda tem músicas aqui e acolá que não surpreendem tanto. Mas a quantidade grande de acertos e a intensidade da qualidade desses acertos realmente faz esses pequenos problemas parecerem minúsculos.

Com esse álbum Lindsey mostrou que ela não é simplesmente uma violinista diferentona que traz músicas sonicamente incríveis, demonstrando que é capaz de fazer um álbum completo pensado como um álbum, e não como uma coletânea de músicas, e deixando claro que tem muito mais a transmitir em suas faixas do que apenas ondas sonoras.

Pois é, esse daqui é o melhor álbum da carreira de Lindsey. Agora é esperar que ela use o que aprendeu aqui nos seus álbuns futuros e que ela aprenda a dosar os feats, né dona Stirling???

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Destaques: Lost Girls, Brave Enough, The Arena, The Phoenix, Hold My Heart, First Light, Gavi’s Song. Waltz fica como uma menção honrosa.

11 comentários em “Review: Lindsey Stirling – Brave Enough [Álbum]

  1. Eu amei tanto, mas tanto esse álbum ❤

    Ai Ramon, sua review está muito tocante, você foi tão aprofundado nela, agora deu pra entender o por quê da demora, hihi. Mas fim de memes internos a parte, tá ótima ❤

    Eu gostei de quase todas as faixas do BE, só Gavi's Songs E Afterglow que eu achei bem ok, mas a mensagem da primeira é tão bonita que eu até esqueço que ela é marromeno. E as que mais gostei foram The Phoenix, Prism (essa música é um hino, ainda bem que você reconheceu), The Arena, Brave Enough, Mirage e Hold My Heart.

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  2. BRIGADO ADRIANOOOOOOOOOOOO ❤ ❤ ❤ Ai, é ótimo ler isso por que esse post realmente foi bem difícil de fazer por que eu queria que ele trouxesse bem esse espírito tocante que tem o Brave Enough, então obrigado ❤ . E foi exatamente por isso que demorou tanto, tava sendo muito difícil explicar bem o que cada música representa no álbum, então que bom que isso deu certo ❤
    Tu gostou até de Those Days???? Estou sofridíssimo. As outras músicas eu até entendo você gostar por que no fim das contas eu sou fãzão que gosta da Lindsey de raiz que não tinha nenhum feat por que ainda tava na sua fase indie conceitual. Não que eu deteste esses outros feats daí, mas em comparação ao meu gosto pelas outras faixas do álbum alguns dos feats ficam num meh.
    Gavi's Song eu sofri horrores quando ouvi desde a primeira vez, mas eu até entendo o teu desgosto por que é daquelas músicas que sua alma tem que estar em sintonia com a vibe da música se não ela não pega mesmo. Quando eu ouço isso daí é minha hora de parar e sentir, e meu deus eu já chorei tanto parando e sentindo essa música. O dougie deve lembrar de eu tuitando mil vezes sobre eu estar chorando por ter ouvido Gavi's Song.
    Olha que quase Prism ia pro buraco comigo!! Nas minha primeiras ouvidas do álbum Prism me fazia entortar o nariz feio por causa daquele refrão, mas aí quando eu finalmente aceitei-o como um velho amigo pude curtir a música, e que bom que esse momento chegou por que Prism é ótima mesmo.
    E sabia que eu sinto que não deixei claro o quão Mirage é boa? Ela pode até não estar nos meus destaques, mas eu gosto bastante de Mirage. Mas também é por que eu não tinha muito o que falar sobre a música ao invés de "é uma música de bollywood e é show". Bem, fica aí o adendo.
    E que bom que temos mais um Brave Enougheiro entre nós ❤

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    1. Those Days marromeno também, tinha esquecido dela, é gostosinha mas nada UAU QUE FORTE

      Ah, deixou claro sim, hihi, e é ótima mesmo. E rapaz, eu achava que era bem poser da minha parte dizer que o BE é o melhor dela, mas já que um fãzasso disse, então tá ok

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  3. Bom, depois de responder seu último comentário eu resolvi tomar coragem pra ver o próximo post (coisas que parecem fáceis mas são bem mais difíceis na minha cabeça)
    Aí eu descobri que esse post era exatamente o que eu estava precisando
    Essa carga de positividade e de ‘você é capaz’ que ele traz foi incrível
    Outra coisa foram suas citações durante as músicas
    “Quando você tem algum distúrbio tal como o de Lindsey, é completamente possível que você trate dele e que ele passe a ser tão pequeno que não atrapalha a sua vida como antes, mas ele sempre vai estar lá. E vez ou outra, depois de você ter o superado, esse problema pode tentar te fazer ceder para ele, deixando-o voltar a dominar sua vida.”
    Olha só se não é tudo que eu sempre quis dizer na minha vida e não consegui
    “Hoje em dia se tem muito esse estigma de que demonstrar amor demais é algo perigoso, algo que não devemos fazer por que vai afastar as pessoas, e isso é pura covardia.”
    Assim, às vezes da vontade de pegar suas citações e fazer um livro delas
    “palavras são boas para descrever sentimentos, mas não para nos fazer lhes sentir”
    Sério
    Eu adoraria fazer um livro delas

    No mais, eu consegui sentir muito essa intenção do álbum nas músicas
    Principalmente depois de ler as explicações que você Coloca, elas aumentam muito a carga emocional

    No mais
    PRECISO DIZER QUE EU TAMBÉM SINTO QUE AS COISAS SÃO DE CERTAS CORES OU COISAS PARECIDAS
    A música Don’t Let This Feeling Fade, por exemplo me deu uma sensação de ser roxa
    O que como você disse, não sei explicar, só sinto
    Eu costumo pensar que o sentimento que pessoas ou músicas me trazem devem se assemelhar ao que determinadas cores trazem e por isso eu os associou na minha mente, mas não sei se é isso

    Só, obrigada por esse post…
    (Como já disse antes)
    Eu tava precisando dele

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    1. Genteeee, será que você tem sinestesia??? Eu não sei muito bem o que é isso, mas se não me engano é uma característica que algumas pessoas tem de misturar um sentido com o outro. Tipo, tem gente que pode associar um cheiro à uma cor, e tem gente que associa músicas a uma cor!!! A Lorde tem isso e ela falou um pouco nesse vídeo aqui olha:

      E eu fico muito feliz com o seu comentário ❤ . Tanto por você ter conseguido ler mais um post (e um post colossal desses ainda por cima hehehe), tanto pelo impacto positivo que ele te trouxe. Fico até sem saber muito o que dizer.

      Só lembre-se sempre que você é capaz sim de passar por seus problemas! E sempre opte por não ceder, por mais tentador que seja. Espero que esse álbum possa te dar uma força pra lembrar disso.

      E pode usar essas frases num livro a vontade xD. E trate de me avisar quando ele for publicado!!!

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      1. Então moço
        Às vezes eu acho que tenho mesmo
        Mas nunca cheguei a ir atrás e procurar sobre pra ver se tinha
        Só acho bem legal que as coisas tenham cores e às vezes gostos ou sons que as definem
        Ai, gente, eu amo a Lorde, como não sabia disso?
        Me identifiquem com essas coisas que ela falou aaaaaaaaa
        Fiquei feliz com isso agora

        Pois é né
        Eu me senti tão orgulhosa por ler um post desse tamanho ❤
        Geralmente eu vejo essas coisas grandes e desisto logo
        Que bom que dessa vez não foi assim

        Eu vou lembrar sim
        Eu preciso constantemente me relembrar disso
        Eu acabo me esquecendo quando as coisas ficam difíceis
        Mas esse álbum certamente vai ser u lembrete pra não me deixar ceder

        Aeeeeeee
        Consegui a autorização
        Agora só falta escrever o livro
        Daqui a uns dois anos eu te aviso então

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  4. Eita Ramão, sabia quase nada do background do álbum. Eu sentia muita emoção nele, principalmente minhas faixas favoritas, Phoenix e Mirage, algo que ela passa enlouquecidamente. Stirling é uma força da natureza, pra falar a verdade, e é bacana ver esse reconhecimento em fazer osts para materiais de mídia mainstreams (por exemplo, eu a conheci por Something Wild, do ótimo Pete’s Dragon), isso tudo sem perder a qualidade. Sempre penso no Zelda Medley e como ela poderia trabalhar como cabeça da franquia, caso modernizem mais nos próximos títulos, mas divago.

    Como disse, não conhecia mesmo os fundos das faixas, e algumas ganham mais profundidade. Desconhecia a trama do amigo, novamente, e o envolvimento com a religião, algo que me pega de surpresa, mesmo que por vezes o intuito da mensagem seja maior do que a melodia, o que tu disse de Where Do We Go? e Those Days.

    O resto, novamente, só me atrevo a debater quando reouvir o álbum completo.

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    1. Ela realmente é uma ótima compositora, não é atoa que a produtora de Rime chamou ela pra fazer uma música pra o jogo e o resultado final ficou lindíssimo. E já pensou se a Nintendo chama ela pra fazer parte da OST de Zelda??? Eu teria um ataque de felicidade que nossa senhora.

      Que bom que tu pôde saber mais do álbum lendo essa review ❤ . Pois você corra dar uma ouvida nesse álbum pra poder ouvir com outros olhos depois de ter descobrido o intuito dela, aí depois falamos hehehe.

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