Review: Lady Gaga – Joanne [Álbum]

Que Lady Gaga é um puta dum nome dentro do pop ocidental não é novidade pra ninguém. Algo que é bem merecido se formos ver os dois primeiros álbuns dela.

Convenhamos que ela entrou numa decaída desde o álbum Born This Way. Desde então, músicas duvidosas e álbuns não tão bons foi o que Gaga trouxe pra a gente (não que Resultado de imagem para lady gaga joannetodas as músicas/singles fossem péssimas, mas no geral, a situação não era das melhores). Então esperar pra ver se a Dama iria dar a volta por cima era inevitável.

Junto a isso, temos a sumida de Gaga durante 3 anos pra focar na criação do seu meme álbum de Jazz com o Tom Bennett. Todos ficaram ansiosos pra ver Gaga voltando com músicas pop novas. E bem… não é lá isso o que a cantora queria fazer, algo que ficou claro desde que o primeiro single, Perfect Illusion, foi lançado.

Com esses dois pesos nas costas, Lady Gaga teve a responsabilidade de trazer um álbum com estilo musical diferente e que, mesmo assim, consiga convença os seus ouvintes. O negoço funcinou ou não? Bora lá dar uma olhada agora.

1. Diamond Heart

O álbum começa com uma faixa daquelas que você tem que esperar o refrão pra poder dizer se ela é show mesmo. Começa mais calminha, mas logo depois a gente tem um refrão muito energético que traz a boa qualidade da música. Daí a diante, Diamond Heart se guia muito bem por si só, tendo um brilho especial em sua bridge.

Eu mudaria aquele instrumental que toca no começo do refrão que me lembra umas músicas esquisitas eletrônicas de verão, mas depois que você aceita a existência dele isso nem passa mais a incomodar. De qualquer forma, é uma música bem boa no geral e já mostra o que o álbum tem à oferecer.

2. A-Yo

Chegamos no tão temido Country que estava sendo prometido. E olha, não sei pra quê ter tanto medo disso aqui, por que A-Yo é uma música muito boa. Tem uma aura feliz e animada que é contagiantíssima, principalmente com a chegada do refrão. Tá vendo aí que não precisa ser pop pra fazer música boa?

3. Joanne

Agora aquele freio pra a música calminha e bonitinha.

Que música linda. Tão calminha, com um instrumental tão belo, uma letra extremamente tocante.

É difícil falar de Joanne com muito detalhe por ser uma música muito calma, são só alguns violões, uns instrumentos de percussão, e um vocal simples (em contra partida com o tema da música).

A letra fala sobre o momento em que a tia de Lady Gaga, Joanne, estava prestes à morrer. É muito tocante a gente acompanhar essa letra, que fala de forma tão bela e amena sobre o sentimento de perda, sobre a vontade de que a pessoa continue conosco,e, no fim, sobre a aceitação da morte como algo natural.

É de encharcar os olhos os momentos em que Gaga canta “Garota, onde você acha que você está indo?” repetidas vezes, e esse é só um dos momentos emocionantes da letra.

Junte essa composição com uma produção tão bela e terá uma faixa incrível, incrivelmente bela e emocional. Ouso dizer que uma das minhas favoritas de Gaga.

4. John Wayne

Depois da calma Joanne, nada mais justo que uma música FODENDO UP-TEMPO e que nos TROLLA ao nos fazer confundir o nome John Wayne com Joane.

Lê isso aqui em voz alta:

Joanne John Wayne Joanne John Wayne Joanne John Wayne Joanne John Wayne Joanne John Wayne Joanne  Jaca Jaca Jaca Jaca Jaca Jacajá Cajá Cajá Cajá Cajá

Enfim, se Joanne tem seu crédito por ser uma música calma incrível, John Wayne brilha pelo completo oposto. É uma música animada, selvagem com um instrumental no refrão bem diferente e que foi muito bem aplicado. A música faz bem demais o seu papel e se torna um dos maiores destaques desse álbum, juntinho com Joanne (mesmo que não tenha lá tanta carga emocional).

5. Dancin’ in Circles

É aqui que as coisas ficam meio…esquisitas.

Sei lá, não é que Dancin’ in Circles seja uma música ruim. Eu achei bem interessante vários elementos do instrumental e dos vocais, mas tem coisas que não fazem essa música me descer tão bem. Seja isso a weirdness do refrão ou até mesmo outros elementos que soaram muito estranhos, peculiares demais.

É uma música que eu não teria tanta pena em pular, mas também não é uma música que eu odeio ou que deixaria de ouvir.

6. Perfect Illusion

E cá chegamos no grande rock da dona Gaga que deixou todos confusos.

Perfect Illusion não chega lá a ser essa coisa completamente ruim que vejo o pessoal falando por aí, é só que ela não tem lá taaaanta coisa interessante (de interessante temos a atmosfera animadora/envolvente e a bridge). É uma música que passa muito rápido, meio repetitiva, mas não que deixa de ter qualidade.

O grande problema dela mesmo é justamente a falta de impacto devido à esses fatores que falei aí em cima. A música não aproveita bem os seus 3 minutos e 2 segundos ao repetir demais os mesmos versos. Não acho que ela foi uma boa servida como o primeiro single de Lady Gaga quando a gente tem músicas bem melhores como as anteriores.

Mas tá, se formos ver essa faixa como uma álbum track, ela é boa sim. As qualidades dela são o suficiente pra fazer dela uma faixa bem agradável e não-pulável.

7. Million Reasons

Olhe… sei não em.

Million Reasons serve bem dentro do contexto do álbum. Quando você ouve Joanne como um todo, ela não desagrada de forma alguma. Mas colocada à parte, Million Reasons perde muito o seu appeal e se torna só uma música meio chata que você não vai querer perder tempo ouvindo quando se tem Joanne para ouvir, por mais que não chegue a ser ruim.

Não consigo entender como Lady Gaga teve a coragem de colocar essa música como segundo single do Joanne, não consigo.

8. Sinner’s Prayer

Tá aqui uma música mid-tempo bem legalzinha.

Ela tem um clima bem ameno, e nem por isso chega a ser chata ou a desagradar. É uma ótima pedida pra dar uma sanduichada entre as faixas do álbum (se é que esse termo fez sentido pra vocês).

O refrão é muito bonitinho, daqueles que dá gosto de ouvir. Algo que é bem complementado com os versos e aqueles gritos que a dona Gaga dá no final da faixa.

Não chega a ser fenomenal, mas Sinner’s Prayer faz muito bem o seu papel como uma boa música.

9. Come to Mama

Voltando às músicas mais felizes.

Dessa vez, diferente de A-Yo, a música não chega a ser daquelas pra animar o ouvinte, mas sim é daquelas que colocam um sorriso em quem à houve. Come to Mama é gostosinha demais de se ouvir justo por ser muito alto-astral, por mais que não seja a música mais original de todas.

A letra também está incrível. Por mais que o tema dela seja batido, ele é aplicado muito bem aqui, fazendo de Come to Mama perfeita pra ser um daqueles hinos à favor da paz mundial, principalmente pela áurea amistosa da música que funciona certinho pra comemorar aquela reconciliação.

10. Hey Girl (feat. Florence Welch)

Antes de tudo, deixa só eu fazer um adendo:

LADY GAGA COM FLORENCEEEEEEEEEAPGHDAESP-~GSAG~4GWGH,RGH*43Q*YH3RFSH\DFSH=0KIAWR[=IH[Y=EWHSH9DSHDASH*+ASH*+U

Agora voltando.

Era de se esperar que um feat de Gaga com Florence fosse dar uma música maravilhosa. Mas né que não deu?

Não que a música seja ruim ou algo do tipo, é só que ela não é tãaao boa quanto o esperado, sabe? Sua forte qualidade é o clima bem agradável que tem, parecendo algo que ouviríamos vendo o nascer do sol entre amigos. É uma faixa boa sim, mas não muito distante da média.

A letra me deixou um pouco confuso na hora de interpretar, mas aparentemente é algo relacionado ao feminismo e tals, mostrando que as mulheres tem que se unir. O que é expresso com Lady Gaga e Florence falando que elas estão lá uma pra a outra pra qualquer coisa que der.

Achei confuso de entender a letra por que eu entendia ela muito mais como uma amizade entre as duas, essa parte do feminismo não fica tão explícita assim. Mas de qualquer forma, é uma interpretação válida (embora a minha interpretação não consiga chegar muito perto disso daí).

11. Angel Down

Pra fechar bem o álbum, temos a clássica baladinha que fecha o álbum. E essa aqui fez muito bem o seu papel.

É a música mais melancólica do álbum, algo que se justifica com a temática de sua letra, que é a banalização da violência e a falta de reação da população a cerca desse problema.

Também é uma faixa muito bela e que não deixa nada à desejar, fechando o álbum de forma devida.

– VERSÃO DELUXE –

Além das faixas anteriores, a gente ainda tem mais músicas na versão Deluxe que são basicamente duas: “Grigio Girls” e “Just Another Day”.

Enquanto Grigio Girls é uma música calminha e bem agradável (com um clima próximo de Sinner’s Prayer), Just Another Day segue aquele climinha feliz e amistoso que a gente vê em A-Yo e Come To Mama. São duas músicas bem boas e que justificam a compra da versão Deluxe. A minha favorita com certeza é Just Another Day, música muuuito gostosinha.

Depois dessas aí a gente tem a Work Tape de Angel Down. Creio que seja a versão da música antes dela ter passado pela produção e tals, quando estava nos estágios de composição. Não é lá aquela coisa que a gente necessita, mas é bem interessante como um bônus pra quem for mais curioso pra ver as canções cruas e tal (ou seja, serve bem comigo hehehe).

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Joanne foi, com toda a certeza, a maior surpresa do ano dentro do pop americano. Seja isso pela volta repentina de Gaga, seja pela mudança de estilo repentina da cantora, ou seja por ela ter entregado um incrível material mesmo com a expectativa baixa trazida por Perfect Illusion e Million Reasons.

No fim das contas, sabe o que Lady Gaga fez? Ela ousou e, sem a necessidade de enfiar pop goela à baixo, entregou um puta dum álbum à nós.

Joanne não é só um ótimo álbum, é o melhor álbum de cantora pop do ano e também o melhor álbum dela desde o The Fame Monster.

Tirei meu chapéu pra ti, Gaga.

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Destaques: A-Yo, Joanne, John Wayne e Come To Mama

Ah, e diga-se de passagem que a capa do Joanne é linda demais e uma das minhas favoritas do ano, mesmo sendo super simples.

13 comentários em “Review: Lady Gaga – Joanne [Álbum]

  1. Eu gosto bastante da Gaga, mas ela não é lá uma artista que eu acompanhe com todas as forças e seja fã (não só ela mas como em todo mundo do ocidente, acho que a única que chega nesse posto comigo é a Marina mesmo e olhe lá)

    Mas vamos falar do álbum, já que o post é sobre ele. Eu não tava esperando muita coisa do Joanne depois que saiu Perfect Ilusion, mas não é que me surpreendi bastante? Tipo, ele tem uns countrys mas não chega a ser aquele negócio que é totalmente fechado ao gênero que propõe e acaba enjoando, é bem variado sonoramente.

    Acho que se Diamond Heart tivesse um refrão mais farofudo ela seria uma Marry The Night 2.0, achei bem parecida. John Wayne tem um instrumental bem diferente, curti bastante (e foi de uma faixa que eu tava com 0 expectativas). No geral é bem bom mesmo, só Hey Girl que eu achei meio ruinzinha, e ainda mais por eu ter enlouquecido por ser Gaga feat Florence e esperava o hino que alteraria o espaço e o tempo e instalaria a paz mundial em todos nós.

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    1. Sou desses que não é muito fissurado na Gaga também, embora eu A M E o TFM e goste bastante de umas musicas dela aqui e acolá (uns exemplos: do what you want, judas, born this way, aura).
      E minha reação foi a mesma também! Esperava naaaaada e saí de barriga cheia. Essa variação sonora ajuda bastante mesmo no álbum, e mesmo variando o álbum consegue ser muito coeso e fechadinho (coisa que não senti no Lemonade, por exemplo, por mais que isso não incomode).
      Te entendo nisso da Florence. Era pra ter sido A música, mas não amei muito (como já falei lá em cima hehehe). Mas pelo menos se a pessoa conseguir se emergir nela, ela consegue ser bem agradável.

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  2. O grande ponto desse álbum é que ele foi feito para funcionar como conjunto mesmo e não uma sucessão de hinos como ela conseguiu no TFM/BTW e só tentou no ARTPOP. Tem algumas músicas que chamam mais atenção, óbvio, mas não é uma chuva de sons e loucuras para falar “Uau k forte”. Em questão de conjunto é o álbum mais coeso da Gaga até aqui (Claro que ainda perde para o TFM em preferência).

    A única baixa do álbum realmente foi o feat. com a Florence (Poderia ter saído coisa muito melhor), mas só pelo fato de ter baladas que eu gostei de fato (Geralmente passo raiva com as baladas dessa mulher) já é um feito e tanto. Million Reasons e Joanne seguem no meu coração até hoje, assim como as faixas mais upbeat (Independente de ter salvado o rock ou o country). Eu nem ouvi as faixas do deluxe ainda, mais pelo que comentaram comigo que não estavam lá grande coisa, então deixei pra lá rs Qualquer dia desses eu ouço.

    E a razão de Million Reasons pra 2nd foi obviamente pela música ter sido muito bem aceita pelos americanos e ter voado para o #1 no iTunes US depois do Carpool, fazendo a equipe trocar o single (Originalmente A-YO era o 2º single). Eu acho a música maravilhosa, mas a Gaga me entrega um vídeo desses que fica até difícil de ajudar.

    Se bem que não tem uma música com cara de hit americano nesse álbum, mas vamos ver o que surge por aí.

    Ah, e parabéns pela review ❤ Mesmo não concordando com tudo o texto está ótimo e a nota ficou bem justa (Até um pouco maior do que eu pensava, só 8 pra mim já estaria ótimo rs)

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    1. Realmente, o álbum soa muito coeso. É muito mais prazeroso ouvir as músicas dele num conjunto que separadas. Por mais que eu ainda tenha as minhas favoritas que eu consigo ouvir separadamente e ainda assim achar o máximo.
      Pelo jeito esse feat com Florence foi o que mais deixou o pessoal desgostoso™. Um puta dum potencial pra trazer uma música muito forte, mas não fazem isso. Pelo menos Hey Girl não chega a ser ruim.
      As baladas desse álbum aí ficaram bem feitas mesmo no geral, estão bem emotivas e lindassas (por mais que Million Reasons ainda não me desça lá tão bem sozinha em comparação às outras).
      Rapaz, recomendo você ouvir as do Deluxe, em? Quer dizer, não é nada incrível, mas também é algo interessante de não perder. Serve de um complemento pro álbum, então quem gostou do Joanne pode achar legal ouvir essas duas músicas aí. Eu mesmo pretendo comprar a versão física Deluxe por que gostei das duas músicas e ficaria agoniado sem ter elas no álbum, hehehe.
      Mas rapaz, os americanos aceitaram Million Reasons fácil fácil assim? Que esquisito. Pra mim isso aí não era muito música que cairia no gosto do americano médio ouvidor de Work From Home e Closer, por mais que eu saiba que eles tem uma quedinha por Country. Senti que falta impacto nessa música, e que por isso não ia dar lá a melhor escolha de single financeiramente falando. Mas pelo jeito eu estava enganado hehehe. E olhe, eu já desisti de clipe ocidental faz tempo. Aconselho que faça o mesmo pra não quebrar a cara como os britfã fizeram com o clipe de Make Me (eu nunca vou parar de usar esse clipe como parâmetro pra clipe horrível).
      Acho que as músicas mais próximas de hit americano aí no Joanne são John Wayne, A-Yo e Diamond Heart. Mas não sei se iam conseguir ser um hitzão. Se conseguir, vai ser uma proeza e tanto da dona Gaga. Aproposito, saudades das cantoras pop lá no topo das paradas no lugar de coisas sem sal feito Closer.
      E valeuzão pelo elogio ❤ . Fico feliz que tenha gostado do texto.
      Aproposito, falando em nota. Láaa atrás, depois que eu vi o teu sistema de nota, eu percebi que tava precisando organizar melhor o meu hehehe. Tipo, eu tava dando nota com aquela mentalidade de "acima de 7 é acima da média abaixo de 7 é ruim", aí acho que as notas ficaram muito acima do que deveria ser. Acho que mais pra frente eu vou tratar de abaixar a nota do Lemonade (não me bate) e do Cosmic Explorer pra o parâmetro de notas ficar mais coeso, e vou adotar a clássica nomenclatura de "Ruim, Bom, Ótimo, Incrível" e tudo mais.
      E brigadão pelo comentário, viu?

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