Review: Beyoncé – Lemonade [Álbum + Álbum Visual]

Depois de ter trazido o incrível álbum BEYONCÉ no finzinho de 2013, Beyoncé se tornou a artista pop mais venerada everrr e continua assim até hoje. Então o hype no próximo trabalho da cantora era inevitável, e eu estou incluso nas pessoas hypadas.

Como o ultimo álbum de estúdio dela é um dos meus álbuns favoritos de todos os tempos, eu já não tava esperando uma grandiosidade enorme no Lemonade (vamo lá, fazer duas masterpieces uma atrás da outra é quase que impossível). Mas isso não tirou minha vontade de saber o que Beyoncé estava tramando para agora.

Minha curiosidade se aguçou ainda mais sabendo que ela ia tratar do movimento negro no álbum como o próprio título sugere (no passado, escravos negros tomavam limonada achando que iam ficar mais brancos). Um álbum de críticas sociais vindo de uma artista pop parece muito interessante, não vai me dizer? E ainda tinha a grande questão do álbum visual, aquele conceito que ela inaugurou. O que seria dele? Bem, ele foi continuado, só nos resta ver como ele foi continuado e se prestou.

E agora finalmente poderemos saber se toda a expectativa valeu a pena mesmo ou nah. (Vou primeiro falar do álbum só como um álbum musical mesmo, ignorando a parte visual. Depois falo de como fico o filme aka visual album).

1.Pray You Cath Me

O álbum começa com uma música bem calminha que não é lá um grande destaque. A grande maioria dela é uma balada super básica que qualquer um faria. Pra vocês terem noção, o instrumental se resume a um piano sendo tocado muito basicamente.
O destaque da música acaba ficando pra a letra que é muito bonita e abre bem a história do CD, e também pra os violinos no final que ficaram lindiiiissimos, mas, como eles foram algo que aparece só no final mesmo, não são o suficiente pra trazer a música pra cima, então acaba que Pray You Catch me é ok.

Aproposito, sabe a tal história do CD que eu falei? Não tem porra nenhuma haver com movimento negro e é sobre Beyoncé com ciumes de Jay-Z. Pois é…

2. Hold Up

Outra música básica…tsc tsc Beyoncé. Hold Up não tem muita coisa interessante à apresentar. O instrumental é um troço esquisito que não pegou e os versos não são muito inspirados. As melhores partes da faixa são o pré-refrão e o refrão, que são levemente legais, e um momento que dura aproximadamente 6.04 segundos onde se traz um rap que ficou legal, mas ele é tão curto que não foi o suficiente pra elevar o nível da música.

3. Don’t Hurt Yourself (feat. Jack White)

AGORA ESTAMOS FALANDO. Cara, essa música ta muito boa. Toda a energia que é colocada aqui é incrível. O instrumental é muito bom, cheio de guitarras e baterias, feito pra a gente entrar em êxtase enquanto ouve. Os versos estão ótimos também, combinam perfeitamente com o instrumental.

E, jesus, que letra em? Ela conseguiu ser muito impactante. “Quando você me machuca, você machuca a você mesmo”. Isso parece cliché, mas no contexto da música ficou muito forte. Sem contar nos momentos finais onde Beyoncé manda um recadinho pra nosso querido Jay-Z. Não vai me dizer que você não ficou arrepiado com o “If you try this shit again you gonna lose your wife”? Só pensar em Beyoncé ameaçando o cara de perder ELA como esposa, puta merda viu.

São vários momentos desses  + a parte musical muito boa que tornam Don’t Hurt Yourself uma música muito boa.

4. Sorry

Quando comecei a ouvir essa música, estranhei horrores. Tava com Sorry do Justin Bieber na cabeça, e a sonoridade que me vem é totalmente diferente do que eu tava pensando (não que isso venha ao caso, mas enfim).

É um instrumental diferentão, mas um diferentão meio cagado sabe? Por sorte ele acaba nos primeiros segundos da música e nunca mais volta, o que me faz indagar do por que desse começo existir. Ele é totalmente desconexo do resto da música.

O resto da música é bem ok, alguns momentos do instrumental me pegam mas logo depois me soltam por voltarem à ser…ok. O final é a melhor parte da música, onde tudo fica bem mais calmo, brando e bonito. Tem mais sentimento.

Aqui o destaque volta a ser a letra, que, por mais que não tenha tanta força, é um momento interessante do enredo que Lemonade traz consigo. Não esquecer que foi daqui que saiu o tão odiado nome da amante mais odiada pela America desde o lançamento de Lemonade, “Becky”. Fora isso, Sorry é música ok.

5. 6 Inch Heels (feat. The Weeknd)

Olha, os versos dessa música são bem básicos e não muito inspirados, mas mesmo assim algo me faz gostar bastante deles. Não sei, talvez o tom de atitude que eles carregam ou toda essa carga badass que 6 Inch Heels tem. Aproposito, a parte The Weeknd fez diferença na música.

Definitivamente a melhor parte  é aquela perto do final que tudo fica mais pop. A forma como ela vai crescendo e ficando cada vez melhor é uma delícia. Infelizmente esse momento é bem breve, mas já traz uma melhorada à música.

E o que falar do final com Beyoncé murmurando “come back” perdendo o fôlego? Foi mais um dos momentos que eu fiquei arrepiado com o álbum. É algo muito simplório, mas conseguiu trazer uma carga emocional muito grande e ter muito significado. Belíssimo. Mais um acerto do Lemonade.

6. Daddy Lessons

Que música gostosa minha gente. O começo é maravilhoso e já nos deixa prontos pra o que tá vindo com vários instrumentos de sopro muito gostosos trazendo um sentimento de felicidade mesmo sabe? Alto astral. Daí pra frente é só delicinha.

Aquele violão, os versos de Beyoncé, o refrão, é tudo muito bom. Daddy Lessons é uma música bem óbvia de ser feita e não inova em nada, é um country animado, e é tudo isso que ela precisa pra ser muito (MUITO) boa. É basicamente isso que Daddy Lessons é, boa do início ao fim sem tirar nem por. Com certeza um destaque.

7. Love Drought

Tá aqui uma música não muito inspirada, simples e muito calminha, mas que caiu como uma luva em mim. Isso é pelo estado de espírito que ela traz. Love Drought seria uma música perfeita pra se ouvir enquanto se vê o por do sol lilás numa praia, sabe? Com aquele vento frio batendo e tudo mais. E isso é o necessário pra ser uma música muito agradável. (Viagei legal aí na descrição hehehe. Mas vamo lá, se a música me fez viajar tanto assim ela só pode ser boa. E reparem que eu evitei usar a palavra “brisa” pra não ter engraçadinho interpretando mal).

8. Sandcastles

Mais uma baladinha do álbum, e olha, Beyoncé não acertou mesmo nas baladas do Lemonade.

Pray You Catch Me é bem mais inspirado que Sandcastles. O pianinho aqui é muito fraco e não tem nada que torne a música um destaque. Acaba se tornando a música mais dispensável do Lemonade.

9. Forward (feat. James Blake)

Isso aqui é basicamente um pedacinho tirado de Sandcastles e colocado como uma música separada de 1 minuto. E olha, tendo 1 minuto, Forward conseguiu ser bem mais inspirada e bonita que Sandcastles. Realmente é uma partezinha muito bonito do álbum, e é o vocal da música que faz toda diferença, esse que é cantado todo pelo James Blake.

10. Freedom (feat. Kendrick Lammar)

Freedom é mais uma ótima do Lemonade. Ela traz todo um clima de clímax de filme de revolução onde começa uma grande batalha.

O refrão é maravilhoso e a melhor parte da música, super energético e imersivo, daqueles que a pessoa para tudo o que esta fazendo só pra absorver toda a energia que ele traz. Mas essa energia não é exclusiva do refrão e está presente em toda a música, tornando Freedom mais um destaque do Lemonade.

(By the way, o título do álbum ganha mais sentido com essa música. No final dela tem um trechinho onde a avó de Beyoncé fala que quando ela tava bolada ela conseguia se colocar para cima de novo,que deram limões pra ela e ela fez, adivinha só, lemonade)

11. All Night

Aqui finalmente temos o momento onde todas as tretas e dr’s se resolvem e Beyoncé chama Jay-Z pra fazer amorzinho a noite inteira.

A música realmente carrega esse sentimento de paz misturado com uma vibe super gostosinha, combinando muito bem com a proposta da música e transmitindo certinho o sentimento ela quer nos trazer. Musicalmente, o resultado disso tudo ficou muito delicinha. E não vamos ignorar a frase final “How I missed you my love” só pra fechar de forma muito poética e bela a saga casos de família de Lemonade.

É um bom fim pra a narrativa do álbum, mas ainda não é o seu fim…

12. Formation

Eu não sei como falar de Formation, mas vamo tentar.

A construção da música não é a coisa mais complexa de todas, mas DAMN COMO É BOA.

A forma como a música vai crescendo no início, os versos, o instrumental, é tudo muito bom, traz um frenesi muito grande. É até difícil falar dessa música por que é algo muito direto ao ponto, mas surte um efeito gigantesco.

O sentimento que a pessoa sente ouvindo a música é de TOTAL SLAYNESS. Principalmente com os versos onde Beyoncé fala sem parar “I Slay”. Isso seria algo absurdamente tosco e imbecil em uma música qualquer de outra artista, mas o sentimento de Formation é tão condizente com isso que acaba que tornando a melhor forma de dar prosseguimento à música. Ouvindo isso eu posso falar que, sim, Beyoncé slay. E não é só ela, todos nós que estamos ouvindo Formation também. Vai me dizer que você não se sente completamente poderoso(a) ouvindo isso aqui? Puta música boa.

Eu tava pronto pra dar uma nota abaixo de 8 antes de terminar a review do álbum, mas pensamento melhor, não é esse tratamento que Lemonade merece. Tem músicas meh? Tem. Toda a promessa sobre o movimento negro tava realmente ali? Ao meu ver, não. Mas isso não tira qualidade do álbum como um todo por ainda ter músicas muito boas por ali.

Bem, a nota final eu vou mostrar pra vocês só depois de eu falar sobre o acompanhamento visual do álbum, então segura essa curiosidade e vamos falar de Lemonade como um álbum visual.

Devo dizer que antes de ver o acompanhamento visual eu tava achando Lemonade um álbum bem merreca, foi após assisti-lo que o CD fez sentido. O álbum visual é o que faz Lemonade funcionar de verdade, é difícil captar todas as emoções que Beyoncé tenta nos trazer apenas ouvindo as músicas.

Todo o sentimento que se quer trazer com a música é completamente extravasado da tela para nós que assistimos. Acontece um envolvimento incrível entre o expectador e o material, e esse é o ponto mais alto de Lemonade, trazer emoção de forma tão bem feita. Ver o filme foi uma experiência de tirar o fôlego, sentimento esse que passou por mim diversas vezes, e olha que eu não sou o maior manteiga derretida pra história de casal ciumento não.

Aproposito, é muito engraçado ver como uma temática tão meia boca quanto traição conseguiu ser tão bem explorada aqui ao ponto de se tornar algo extremamente belo. É realmente muito cativante ver todo o desenrolar da história, entender como Beyoncé se sentia a cada momento. É tudo sobre emoção aqui. E isso só mostra que temática não é o que define a qualidade de algo, mas sim a forma como esse algo será transmitido, e isso foi muito bem feito aqui.

Não vamos esquecer que tudo tá visualmente muito bonito, várias cenas são lindíssimas de se ver (aquela onde Beyoncé está dentro de um quarto cheio de água é com certeza a mais linda de todas). Tem muitas coisas nas imagens do filme que exigem interpretação de quem o assiste, e isso só ajuda a trazer mais emoção ao telespectador. São interpretações não muito profundas, mas não muito óbvias, então acaba se tornando bem acessível pra quem quiser ver.

Os momentos entre as cenas onde ela falava algo sobre o que estava sentindo são belíssimos e trazem muita emoção. Eu ficava pausando o tempo inteiro só pra esmiuçar aquelas falas e interpretar tudo o que ela queria transmitir. E isso que é arte, é fazer a gente pensar, é tentar trazer uma mensagem, é trazer emoção, é ser belo. Tudo isso foi conquistado por Beyoncé com o Lemonade.

E, bem… Aquele negoço que ela tanto prometia do empoderamento negro foi melhor explorado aqui, mas ainda assim não foi o foco do filme e acabou parecendo algo bem mais acessório do que algo realmente importante pra a história. Isso por que as referências à cultura negra estavam nos cenários e nos atores, e não na mensagem que estava sendo transmitida. O foco o tempo inteiro é justamente sobre o relacionamento conflituoso entre Beyoncé e Jay-Z, e não sobre o movimento negro. Algumas das referencias ao movimento negro que lá apareciam, no fim das contas, ficaram muito desconexas com a mensagem principal do filme. Mas ainda assim foi uma boa ela ter optado por cenários/vestes/atores mais próximos da cultura negra.

Não vou ignorar que a organização do filme ficou bem diferente daquela feita no álbum visual BEYONCÉ. Lá, cada música tinha um clipe certinho. Aqui, as músicas são picotadas e encaixadas em um filme da forma que for mais conveniente pra contar a história, sem contar que existem momentos onde não há nenhuma música do álbum. Foi uma forma diferente e interessante de trazer essa ideia de álbum visual, conseguiu ser algo bem mais concreto, por mais que eu sinta falta de ter um clipe completo pra todas as músicas.

Com Lemonade, Beyoncé conseguiu trazer um ótimo álbum e elevar a ideia de álbum-visual ao próximo nível. E aqui está o veredito de tudo isso:

Álbum musical (aka o CD mesmo):

beyoncelemonadenota5.png

Destaques: Don’t Hurt Yourself, Daddy Lessons, Freedom, Formation

Álbum visual (aka o filme):

beyoncelemonadenota1png

E olha, eu não to gostando muito das cantoras pop estarem abandonando esse estilo pra fazer essas músicas conceituais e não sei mais o que. Pra fazer música boa e com significado não precisa abandonar o pop não, e são cantoras como Marina and the diamonds que provam isso. Então vamo se cuidar em.

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5 comentários em “Review: Beyoncé – Lemonade [Álbum + Álbum Visual]

  1. antes do BEYONCÉ eu tinha pavor de ser beyhive
    aí ele veio e eu fiquei meio mexido
    aí veio o Lemonade e %%#%$
    Beyoncé minha própria mãe
    também achei que ela fugiu do tema cultura negra, mas ainda assim gostei das referências (e da Zendaya)
    Don’t hurt yourself ❤

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  2. Oi tudo bem? gostei bastante da review.Só discordo de uma coisa: Achei que a relação de traição explorada teve relação com a cultura negra,em daddy lessons ela mostra como o pai dela se comportava e que provavelmente boa parte do comportamento dele é de uma carga cultural e assim se perpetuou para seu marido que também é negro, acho que ela não fugiu do tema,só diluiu ele e colocou em músicas onde não teve muito espaço algumas referências,por exemplo é em Hold Up em que ela se veste como uma entidade africana, Freedom que é um hino de liberdade, Formation é um hino de empoderamento negro,em 6Inch ela fala sobre o caminho que algumas mulheres negras seguem, Don’t hurt yourself mostra o lago agressivo da mulher negra,o que é retratado em muitos seriados e filmes (tipo a Rochelle), achei que o contexto do visual álbum é a cultura negra,é como se eles estivessem em um cenário completamente imerso na cultura negra e os acontecimentos só se passam nesse cenário,tipo a traição.Concordo que o álbum faltou sal nas baladas para ficarem mais convidativas,no geral,amei o album. Continue analisando álbuns,amo ler reviews ❤ Até mais

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    1. Realmente, em músicas como Formation e Freedom dá pra a pessoa perceber que tem esse lado sobre o empoderamento negro de forma bem mais visível, e também em todo o álbum visual (fora isso não pude ver mais nada sobre empoderamento negro). Se bem que eu tava esperando ver isso ser mais explorado na maior parte do álbum e de uma forma mais implícita. De qualquer forma, deu pra levar o que o álbum ofereceu sobre o movimento negro numa boa por que em outros aspectos ele acabou compensando.
      E muito obrigado por ter vindo aqui ler a review e ter deixado sua opinião, viu? Fico muito feliz que tenha gostado da review. ❤

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